Saudações caros leitores,
 

Quando fui convidado pela editora a ser um de seus colunistas, pensei em buscar um tema interessante, que fizesse as pessoas pensarem de verdade.

Escolhi, portanto, para iniciar esta série de artigos, algo do cotidiano de todos nós: A LAVAGEM DAS MÃOS.

Antes de abordarmos qualquer tipo de doença propriamente dita, cabe essa importante nota introdutória. As recomendações sobre higienização / lavagem das mãos, datam de muito antes da descoberta da bactéria.

Para vocês terem uma idéia, na Idade Média, o hábito de lavar as mãos era tão costumeiro e importante que, se alguém tivesse comportamento ao contrário, era tido como uma pessoa suja, no sentido de ser desonesta.

Mal sabiam eles das descobertas que estariam por vir. Esses valores eram tão nobres na cultura, que os jarros e bacias usadas para tal fim ( de porcelana, ouro, prata, estanho, barro cozido, etc ) foram, inclusive, objetos dos mais ricos inventários daquela época.

Foi, em 1847, que o médico e cientista Semmelweiss iniciou as observações a respeito das mãos. O médico trabalhava no primeiro período do dia com autopsias, e percebeu que as pacientes que atendia no segundo periodo do dia, começaram a apresentar sintomas de doenças quais elas não tinham.

Com isso percebeu que partículas cadavéricas ficavam em suas mãos e que essa era a causa de suas pacientes adoecerem ainda mais.

Porém, parecia que algo queria mostrar-lhe que o problema não acabaria por ai. Mesmo lavando as mãos após as autópsias, quando examinava mais de uma mulher na enfermaria ( trabalhava com obstetricia ) elas adquiriram a febre puerperal, uma infecção específica relacionado ao periodo pós parto.

Foi nesse instante que começou a entender que não era específico das partículas cadavéricas, mas sim de germes nas mãos adquiridas da paciente anteriormente examinada.

O médico foi enxovalhado pelos seus colegas quando ouviram suas descobertas. Somente muito tempo depois, foi descoberta a célula e microorganismos através de técnicas quais Semmelweiss não tinha disponível em seu laboratório.

Hoje, sabemos a real necessidade de lavarmos as mãos. É um ato extremamente simples e muitas vezes é desprezado ou apenas esquecido.

A prática da lavagem das mãos, várias vezes ao dia, previne doenças como as temíveis gripes, conjuntivites, diarréias, infecções alimentares, etc.

Bactérias, vírus, fungos, parasitas, e outros micróbios estão em diversos lugares ( e não são vistos a olho nu ), inclusive em nossas mãos - principalmente debaixo das unhas.

E, quando devo lavar minhas mãos?

Tenho algumas dicas importantes:

Após espirrar ou tossir;

Após levar a mão ao nariz;

Antes de tocar qualquer alimento;

Antes e depois de sair de um sanitário;

Antes e depois de trocar a fralda do bebê;

Ao entrar e sair de um hospital ou posto de saúde, e toda e qualquer situação que possa contaminá-las.

Para lavar as mãos é simples

Retire anéis, pulseiras, relógios e similares;

Enxague as mãos com água abundante sem encostar na pia;

Ensaboe suas mãos friccionando-as por 15 segundos;

Fricionar as palmas, o dorso das mãos com movimentos circulares, espaço entre os dedos, articulações, polegar e extremidade dos dedos.

Não esqueça dos pulsos, afinal, estão próximos demais às mãos.

Enxague bem e seque com papel toalha e, em casa, com toalha limpa.

Caso o local onde for lavar as mãos esteja muito sujo, abra e feche a torneira com papel toalha.

Lavar as mãos é uma prática simples, divertida e que ajuda na prevenção de muitos problemas de saúde.

Dr. André Luis C. Ramalho: drandreauditoria@gmail.com