Dr. André Luis C. Ramalho, Especialista em Auto Gestão de Saúde, Psicopatologia e Saúde Pública
MBA; Executivo em Saúde - Fundação Getúlio Vargas; e-mail alternativo - andreramalho@live.com -
Não há satisfação maior do que aquela que sentimos quando proporcionamos alegria aos outros." (M. Taniguchi)
20 de outubro de 2011
QUALIDADE DOS SERVIÇOS DE SAÚDE E SEGURANÇA DO PACIENTE
Todos nós precisamos dos serviços de diversos profissionais, seja para cortar o cabelo, para abastecer o carro, para nos atender na padaria, ou servir um prato em um restaurante. E quando nos referimos à serviços, logo pensamos nessas situações que pertecem ao nosso dia a dia.
Hoje, no entanto, refletiremos ao setor de serviços, mais especificamente na área da saúde. Um indivíduo hospitalizado, por exemplo, recebe serviços de diversos tipos de profissionais que o assistem. Inicia-se com o agendamento da consulta médica, seguindo pela propriamente dita. Após isso, dirige-se à farmácia para retirar ou comprar os medicamentos prescritos pelo profissional. Com tudo isso, recebeu serviços de diversos profissionais, como a secretária, o médico, o auxiliar de enfermagem, o atendente da farmácia, o farmacêutico, etc.
Com o advento da alta tecnologia e reducionismo instrumental da atividade da saúde, o Brasil vem sofrendo a décadas problemas que estão relacionados à falta de acesso, à má qualidade dos serviços prestados, etc. Há a mercantilização da saúde, onde os interesses financeiros de alguns grupos se sobressaem em relação aos interesses de saúde da coletividade. Isso se reflete na grande competitividade ente as empresas que prestam esses serviços de saúde e hegemonia de determinados grupos como operadoras de planos de saúde, hospitais, clínicas, farmácias, industrias farmacêuticas.
O usuário, por outro lado, se tornou mais exigente em relação aos serviços prestados, com pouca tolerância quanto à falta de qualidade. Atendimentos precários, filas intermináveis, prorrogação de consultas, cirurgias e procedimentos, falta de segurança ao paciente em ambiente hospitalar, desrespeito ao consumidor, entre muitos outros. As empresas prestadoras de serviços em saúde, sejam elas públicas governamentais ou privadas, devem estar sempre na busca de uma melhor qualidade e segurança ao paciente, adequando seus serviços da melhor forma sempre.
Nos ambos setores, publico e privado, a capacitação dos profissionais ao que se refere à qualidade tem sido ferramenta de grande investimento nesses últimos anos. Muitos deles aderiram as normas do INMETRO, ISO e ANVISA, outros com certificação pela Organização Nacional de Acreditação, (ONA) segundo seus critérios.
Mesmo com isso, devemos ter em mente que é necessário e imediato o contínuo trabalho em cima da qualidade e segurança nos serviços prestados aos paciente. Qualidade não é somente tomar cafezinho na recepção. Pense nisso!
Olá, leitores!

Hoje trataremos de um assunto muito comentado em meu consultório, que traz repercussões em nosso organismo – a mudança com o horário de verão. Esse tipo de “fuso temporário” começou dia 16 de outubro e acabará em 20 de fevereiro. Para algumas pessoas, a mudança pode trazer dificuldade para dormir, sonolência diurna, mal estar geral, alterações de humor e, até mesmo, de hábitos alimentares. Já, para outras pessoas, significa apenas um dia aparentemente mais longo.
Essas diferentes reações são decorrentes da mudança do relógio biológico e de alterações hormonais.
Em condições normais, os diversos ritmos do nosso organismo, como o ciclo vigília-sono e o ritmo de temperatura, os hormonais, estão sincronizados. É o chamado relógio biológico ou relógio interior. Quando acontece uma mudança brusca de horário (como no horário de verão e alteração de fusos em viagens), o organismo tende também a se reajustar.
Como cada ritmo tem uma velocidade própria de equalização, a relação de fase entre eles é alterada com essa mudança de horário. Há o que nós médicos chamamos de desordem temporal interna, que pode se manifestar com sintomas que podem perdurar poucos dias ou se prolongar por semanas, só terminando quando a ordem temporal interna é restabelecida.
Além disso, há um hormônio importante para o nosso metabolismo que também tem sua secreção alterada nessa mudança de horário: a melatonina. Isso ocorre, pois os hormônios são regulados pelo ritmo do dia, pela claridade do sol e pela escuridão da noite.
A melatonina tem sua principal função em regular o sono; ou seja, em um ambiente escuro e calmo, os níveis de melatonina do organismo aumentam, causando o sono. Por isso é importante eliminar do ambiente quaisquer fontes de som, luz, aroma, ou calor que possam acelerar o metabolismo e impedir o sono, mesmo que não percebamos.
Outra função atribuída à melatonina é a de antioxidante, agindo na recuperação de células epiteliais expostas a radiação ultravioleta e, através da administração suplementar, ajudando na recuperação de neurónios afetados pela doença de Alzheimer e por episódios de isquemia (como os resultantes de acidentes vasculares cerebrais).
Com o advento do horário de verão, pode haver um atraso nessa secreção, o que pode causar sonolência por alguns dias, podendo ser perigoso para quem precisa estar alerta no trabalho. Em idosos com problemas graves de saúde, a mudança no padrão do sono, geralmente em casos extremos, pode ainda aumentar a pressão arterial.
Algumas dicas para combater esses sintomas do efeito do horário de verão: deitar-se pelo menos 1 hora mais cedo, evitar o consumo de bebidas cafeinadas à noite e banho muito quente ou muito frio antes de dormir, realizar exercícios menos exaustivos e evitar assistir a filmes ou noticiários demasiadamente estimulantes.
Síndrome de Couvade e a
importância do pai
durante a gestação
Olá, leitores!
Hoje discutiremos em breves linhas a importância do pai na gestação saudável. Um tema interessante e ao mesmo tempo intrigante aos olhos de todos nós.
Atualmente, a discussão do papel do futuro pai no pré-natal de sua esposa já não é mais alvo de estudo, mas já foi incorporado às práticas e vivências do cotidiano de quem vive uma gestação.
Porém, além que discutir somente a importância deste pai na gestação, é interessante discutir também a Síndrome de Couvade – derivado de Couver (termo basco para “chocar”).
Muitos maridos passam a tratar a mulher de maneira muito diferente da habitual, como se a esposa estivesse doente, cercando sua liberdade de movimentação ou expressão, porém, outros desenvolvem essa síndrome.
Recomendamos que o companheiro procure ser carinhoso, atencioso e, principalmente, mostre atração física e psicológica pela mulher, que muitas vezes se sente fisicamente menos sensual pelo estado gestacional e mudanças de seu corpo.
Portanto, carinho e atenção à mulher grávida nunca são demais. Em estudo realizado nos Estados Unidos, de 267 parceiros de mulheres pós-parto 60 (22,5%) dos homens sofriam dessa síndrome. Uma taxa de prevalência de 225 em 1000 maridos sob risco devido à gravidez da esposa.
Muitos dos sintomas eram vagos e inespecíficos como cansaço, desvalia e fraqueza, bem como sintomas mais típicos da gravidez como dor lombar, ardência ge-nital, retenção de água (não confirmados em exames físicos), tontura, dores na virilha, náuseas, cólicas abdominais.
Interessante comentar, que é comum a queixa de dor retroesternal (no centro do peito) e referirem que a dor é como “se algo estivesse querendo sair”. Heggenhougen escreveu, certa vez, que pode-se interpretar essa síndrome como “ uma forma subconsciente de participação ou, talvez, até competição com a esposa”, enquanto o couvade é uma “participação consciente, embora possa ter base também subconsciente.
Os clínicos devem estar atentos e conscientes da possibilidade de sintomas inexplicados, tanto físicos como psicológicos, em muitos pais gestantes.
Coff! Coff!
Olá, leitores!
Por qual motivo devemos deixar de comentar? Às vezes, me intriga como deixamos de lado certos assuntos. Parece que só lembramos nos dias de campanha, de um grande problema de saúde pública - a tuberculose - que está em nosso meio desde séculos. E, esta doença tem muita relação com o nosso país.
Foi após a campanha para reconquistar o trono português para sua filha ( as cortes de agosto de 1834 confirmam a regência de D. Pedro I, que repõe a filha no trono português ), que o nosso imperador e libertador voltou da campanha tuberculoso e, morreu em 24 de setembro de 1834, pouco depois da Convenção de Évora Monte ( que selara a vitória da causa liberal, de que se fizera paladino ), no palácio de Queluz, no mesmo quarto e na mesma cama onde nascera 36 anos antes.
Ao seu lado, na hora da morte, estavam Dona Amélia e Dona Maria II. Com o falecimento de D. Pedro I, Dona Amélia dedicou-se a obras de caridade e ao cuidado de sua única filha, Maria Amélia.
Por volta de 1850, após o falecimento de Pedro V de Portugal, seu enteado-neto, Dona Amélia retornou para a Baviera com sua filha. Essa última, vindo a contrair tuberculose, fez com que ambas se mudassem para Funchal, Ilha da Madeira.
Todavia, Maria Amélia não resistiu e faleceu, aos vinte e dois anos de idade, em fevereiro de 1853. Dois membros de uma mesma família - o marido e a filha- morreram com tuberculose.
Nossa história é marcada. Quantos Pedros e Maria Amélias já não morreram ( e estão para morrer ) por puro preconceito de uma doença que foi extremamente estigmatizada pela agressividade que apresentava?
Porém, o Brasil melhorou duas posições no ranking dos 22 países com maior número de casos de tuberculose no mundo, passando da 16ª posição, no ano passado, para a 18ª este ano, ao lado de Moçambique.
Segundo o Informe da Organização Mundial da Saúde ( OMS ), 38,2 casos por 100 mil habitantes e 4,5 mil pessoas morreram em decorrência da doença.
O que estes números significam? Morre muita gente, ainda. Ficaremos satisfeitos com esta posição? A tuberculose é uma doença que se dissemina através de gotículas no ar que são expelidas quando pessoas com tuberculose infecciosa tossem, espirram, falam ou cantam - somente a partir de pessoas com tuberculose infecciosa ativa.
A imunização com vacina BCG dá entre 50% a 80% de resistência à doença. Em áreas tropicais onde a incidência de "mycobactérias" atípicas é elevada ( a exposição a algumas "mycobacterias" não transmissoras de tuberculose dá alguma proteção contra a TB ), a eficácia da BCG é bem menor.
No Reino Unido, crianças entre os 10 e os 14 anos são normalmente vacinadas durante o período escolar.
Tosse a mais de 15 dias, com catarro ( com ou sem sangue ), que pode vir acompanhada de febre, suores noturnos, emagrecimento, falta de apetite, cansaço, são indicativos de possibilidade de a doença estar ocorrendo. Dificuldade na respiração, eliminação de sangue e acúmulo de pús na pleura pulmonar, são característicos em casos mais graves. Os sintomas geralmente se exacerbam quando evoluem para casos mais graves, às vezes necessitando deixar o paciente internado e, por vezes, até isolado.
O tratamento é tranqüilo e se dá por via oral ( boca ) que dura, pelo menos, seis meses.
O diagnóstico é feito pela clínica do paciente e por exames que irão complementar este diagnótico e, amostras de escarro e culturas microbiológicas devem ser sempre realizadas para detectar o bacilo, caso o paciente esteja produzindo secreção. Se não estiver produzindo-a, uma amostra coletada na laringe, uma broncoscopia ou uma aspiração por agulha fina podem ser consideradas.
Em diversos países houve a idéia de que, por volta de 2010, a doença estaria praticamente controlada e inexistente. No entanto, o advento do HIV e da AIDS mudou drasticamente esta perspectiva.
No ano de 1993, em decorrência do número de casos da doença, a Organização Mundial de Saúde ( OMS ) decretou estado de emergência global e propôs o DOTS ( Tratamento Diretamente Supervisionado ) como estratégia para o controle da doença.
Atendimento em Barueri
Em Barueri, este serviço de atendimento é realizado através do programa de tuberculose do governo, com todo apoio e iniciativa da secretaria de saúde, e que tem por base o preconizado pela OMS. Inclusive, nosso município já chegou a receber prêmios pelo bom desempenho no combate à tuberculose no estado.
A lavagem das mãos
Olá, leitores!
Quando fui convidado pela editora a ser um de seus colunistas, pensei em buscar um tema interessante, que fizesse as pessoas pensarem de verdade.
Escolhi, portanto, para iniciar esta série de artigos, algo do cotidiano de todos nós: A LAVAGEM DAS MÃOS.
Antes de abordarmos qualquer tipo de doença propriamente dita, cabe essa importante nota introdutória. As recomendações sobre higienização / lavagem das mãos, datam de muito antes da descoberta da bactéria.
Para vocês terem uma idéia, na Idade Média, o hábito de lavar as mãos era tão costumeiro e importante que, se alguém tivesse comportamento ao contrário, era tido como uma pessoa suja, no sentido de ser desonesta.
Mal sabiam eles das descobertas que estariam por vir. Esses valores eram tão nobres na cultura, que os jarros e bacias usadas para tal fim ( de porcelana, ouro, prata, estanho, barro cozido, etc ) foram, inclusive, objetos dos mais ricos inventários daquela época.
Foi, em 1847, que o médico e cientista Semmelweiss iniciou as observações a respeito das mãos. O médico trabalhava no primeiro período do dia com autopsias, e percebeu que as pacientes que atendia no segundo periodo do dia, começaram a apresentar sintomas de doenças quais elas não tinham.
Com isso percebeu que partículas cadavéricas ficavam em suas mãos e que essa era a causa de suas pacientes adoecerem ainda mais.
Porém, parecia que algo queria mostrar-lhe que o problema não acabaria por ai. Mesmo lavando as mãos após as autópsias, quando examinava mais de uma mulher na enfermaria ( trabalhava com obstetricia ) elas adquiriram a febre puerperal, uma infecção específica relacionado ao periodo pós parto.
Foi nesse instante que começou a entender que não era específico das partículas cadavéricas, mas sim de germes nas mãos adquiridas da paciente anteriormente examinada.
O médico foi enxovalhado pelos seus colegas quando ouviram suas descobertas. Somente muito tempo depois, foi descoberta a célula e microorganismos através de técnicas quais Semmelweiss não tinha disponível em seu laboratório.
Hoje, sabemos a real necessidade de lavarmos as mãos. É um ato extremamente simples e muitas vezes é desprezado ou apenas esquecido.
A prática da lavagem das mãos, várias vezes ao dia, previne doenças como as temíveis gripes, conjuntivites, diarréias, infecções alimentares, etc.
Bactérias, vírus, fungos, parasitas, e outros micróbios estão em diversos lugares ( e não são vistos a olho nu ), inclusive em nossas mãos - principalmente debaixo das unhas.
E, quando devo lavar minhas mãos?
Tenho algumas dicas importantes:
Após espirrar ou tossir;
Após levar a mão ao nariz;
Antes de tocar qualquer alimento;
Antes e depois de sair de um sanitário;
Antes e depois de trocar a fralda do bebê;
Ao entrar e sair de um hospital ou posto de saúde, e toda e qualquer situação que possa contaminá-las.
Para lavar as mãos é simples
Retire anéis, pulseiras, relógios e similares;
Enxague as mãos com água abundante sem encostar na pia;
Ensaboe suas mãos friccionando-as por 15 segundos;
Fricionar as palmas, o dorso das mãos com movimentos circulares, espaço entre os dedos, articulações, polegar e extremidade dos dedos.
Não esqueça dos pulsos, afinal, estão próximos demais às mãos.
Enxague bem e seque com papel toalha e, em casa, com toalha limpa.
Caso o local onde for lavar as mãos esteja muito sujo, abra e feche a torneira com papel toalha.
Lavar as mãos é uma prática simples, divertida e que ajuda na prevenção de muitos problemas de saúde.
|